quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Pra quê?

Eu tenho vontade, realmente tenho vontade de estudar autores, filósofos, gente inteligente. Eu realmente tenho vontade e, na verdade, é isso que eu penso como o objetivo maior da vida. Fazer o próprio conhecimento crescer, tornar-se pleno. Mais do que isso: fazer crescer o conhecimento do mundo a partir de suas sínteses e pesquisas próprias. 

Mas bem... eu era bastante ingênuo.

Antes de entender como o mundo funciona, eu pensava que todas as pessoas tinham a intenção de acumular o máximo de conhecimento possível. Se não conseguiam, é porque não tiveram condições concretas para aquilo. Ora, via meu pai com um vocabulário sempre muito amplo, sempre muito explicativo, tudo o que eu perguntava, todas as definições de palavras ele sabia. Ele era meu herói da inteligência acadêmica. Minha mãe também extremamente inteligente em questões artísticas, decorativas, culinária, organizacional e financeira. Ambos me incentivavam muito em buscar conhecimento acadêmico, porque isso, porque aquilo, porque aquilo outro. Agradeço-os até hoje por isso.

No ensino médio tive professores que falavam bastante também na importância do desenvolvimento da própria formação acadêmica. Quase todos eles volta e meia falavam sobre isso, e, portanto, insistiam nessa necessidade. Afinal de contas, formação acadêmica significa desenvolvimento científico e desenvolvimento científico significa melhorias relevantes para a humanidade e sua qualidade de vida.

E finalmente, tive uma formação religiosa que, ainda por cima reforçava esses ideais: cada pessoa tinha vindo ao mundo para algum propósito, e o meu propósito era fazer algo grande pelo mundo. Eu faria o máximo para fazer algo importante e, depois que eu morresse, eu poderia eternamente ver os resultados futuros, em cem, quinhentos, MIL anos e seus beneficiados e, quem sabe, reencarnar para depois continuar meu trabalho a partir dali. 

Pois bem, tudo isso na minha ingenuidade. Depois eu descobri que não era bem assim.

Afinal de contas, as pessoas têm pais diferentes, têm professores diferentes e formações religiosas diferentes. 

Eu construí todos meus interesses, toda minha "pulsão de vida", todas as minhas pretensões em cima daquelas ideias. 

Me decepcionei quando percebi que nem todo mundo trata o conhecimento com a seriedade que ele merece. O marco disso foi eu estar conversando sobre ótica com um colega professor de arte, numa escola de ensino fundamental, e perceber que, apesar de ele estar olhando para mim, não estava conseguindo se concentrar porque os outros professores ouviam a conversa e faziam piadas a respeito dos conhecimentos que eu trazia. 

Hoje eu já aceito naturalmente esse tipo de coisa, mas na época, para mim, foi um choque. Apesar de que isso me marcou no sentido de: para que desenvolver um conhecimento se, quando chega nas esferas de base eles são menosprezados? Ok, o conhecimento de ótica faz produzir outras coisas, como um espelho, por exemplo. Independente das pessoas levarem a ótica a sério ou não, elas usam um produto dos estudos de ótica. Mas eu ainda não consigo me conformar em como elas podem olhar para um espelho e não se perguntarem o porquê. Não consigo me conformar em como elas podem olhar para um espelho e não encantarem-se com a "magia" da física acontecendo ali, naquele exato momento. Que vida sem graça.

Isso se estende para o geral. As pessoas não querem conhecimento, elas só querem "viver". Estão contentes com seu futebol dominical e com suas cervejas, conversas machistas e entretenimento pequeno-burguês. Tudo bem, deixa elas. Mas... para que estudar se não tenho com quem ter conversas mais profundas? Para que estudar se, ao interagir com as pessoas, vou permanecer em silêncio?

Apesar dessas desilusões, eu ainda tinha minhas crenças. Com elas eu imaginava que, no futuro, o mundo tornar-se-ia diferente, as pessoas inevitavelmente ascenderiam a uma consciência superior, em que os desejos consumistas desapareceriam e dariam lugar aos desejos pelo bem comum. Mas então, depois de estudar algumas coisas, infelizmente impelidas por causa de um relacionamento abusivo, buscando a aceitação de minha "companheira", eu desacreditei.

Hoje eu vejo claramente essa questão, mas não consigo voltar a "acreditar". Como diria o C.S., "Eu não quero acreditar, quero saber". Eu já tinha uma propensão a ir para o lado cético e hoje, estou muito mais pé no chão do que a época em que eu espiritualizava tudo. Mas então, no final das contas, eu me pergunto... para quê? Para que vou estudar e desenvolver um trabalho científico ou, quem sabe, um conhecimento novo, ideias novas... para que vou me esforçar para ampliar minha formação acadêmica se, quando eu morrer, tudo isso será perdido?

Para que ter nascido se um dia vou morrer? 

Hoje, para mim, depois de tudo isso, a vida já não tem mais sentido. Como eu falei em outra postagem aí, parece que só existe o lado negativo. Eu preciso urgentemente ver o lado positivo da vida. Eu preciso urgentemente entender as motivações que levam as pessoas, mesmo ateias, a quererem prosseguir. 

Eu estou otimista. Creio que logo, logo não vou mais nem lembrar que pensava essas coisas. 

Mas eu espero, sinceramente, que esse "logo" chegue logo.

Obrigado por ter lido até aqui.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Steven Universo


Vou hoje dormir pensando
Amanhã vou acordar também
Louco é como eu estava na época
Queria na época estar calmo como estou

Uma vez penso em falar tudo
Imagino, mas melhor falar nada
Reto, sigo em frente
Idiota não serei mais, tenho em mente
Ainda que não veja novamente

Tudo me lembra, tudo, tudo
E agora me pego buscando lembranças 
Até assistir Steven Universo sentado
Mesmo comer pão e tomar café passado
O que senti foi tão forte, que sentir de novo seria sorte



sábado, 2 de dezembro de 2017

Divagações Cabeludas

Nunca vai achar alguém compatível. 
Não existe ninguém boa o suficiente para você. 
Não adianta procurar. É gasto em vão de energia química. 

Já fazem sete meses. Sete longos meses em que o mundo tinha voltado a ser colorido.
Infelizmente, logo voltou o cinza. Eu estava surtado. 

A vida parece uma sequência interminável de derrotas, sempre. 
Tudo o que eu queria era vencer, ao menos uma vez na vida. 

Mas sinceramente, o que me faz ficar mais mal é minha situação financeira. 
Ter um pouco a mais de dinheiro amplia as possibilidades.
Não deveria ser assim. Deveríamos ter todas as possibilidades sem precisar de dinheiro.

Há quem diga que com a força da mente você consegue. Mas não é de uma hora para outra. Precisa ter paciência, precisa esperar. 

Isso é estranho, porque o financeiro é uma necessidade imediata. Então a tal força da mente não adianta para porra nenhuma. 

Estou cheio das divagações, mas este papo está me lembrando aquele pessoal que é tão "good vibes" que chega a ser forçado. É claro que ser positivo ajuda pra caramba para conseguir realizar feitos, mas eles começam a achar que está tudo bem, só por estarem positivos. 

Não, por mais que eu consiga manter uma estabilidade positiva, o mundo vai continuar uma bosta. 

Metade da riqueza do mundo vai continuar concentrada nas mãos de 1% da população, e o resto tem que ser dividido de forma desigual entre os outros 99% [1].

Não coincidentemente, milhões estão morrendo de desnutrição neste exato momento. Milhões estão morrendo de doenças facilmente resolvíveis, mas que não se resolvem porque não dá lucro enviar remédios, vacinas e soros para países pobres.

Você poderia dizer: "Pensar nesses problemas não vai ajudar a resolvê-los". 

Pelo contrário. A gente só resolve o que a gente tem consciência. Mas não é este o ponto, neste exato momento não estou tentando resolvê-los. Eu estava fazendo uma crítica à atitude de voluntariamente colocar vendas nos olhos. 

Eu consigo me levantar e esquecer um pouco desses problemas no mundo, sim. Mas é muito interessante como, nos meus raros momentos de "levante" e tentativas de alçar voos, logo algo ou alguém lança uma corda e me puxa para baixo. 

As pessoas estão pouco se fodendo. Estão pouco se fodendo para se colocar no lugar do outro. Cagam frases prontas pela boca, cagam clichês e repetem as frases sem perceber que estão sufocando e menosprezando o sentimento alheio. 

"Tem que correr atrás". "Só depende de você". "Quem avisa, amigo é". "Tem gente na pior". Entre outros clichês.

Filho da puta, eu estou todos os dias correndo atrás, tentando me levantar, tentando resolver meus problemas. 

Não, caralho. Não depende só de mim. Existem coisas que acontecem independente da vontade de um indivíduo. Ou você acha que, por exemplo, um bebê de 2 meses consegue se revoltar com os pais e sair de casa? 

Um revoltado só é revoltado porque viveu determinados episódios que aconteceram com ele.

Existem inúmeras micro e macro-estruturas sociais que fizeram eu me constituir exatamente do jeito que sou agora. Existem filhos da puta que sugaram minha vida até o momento, e existem pessoas que desde pequeno me mostram que a vida se constitui de apenas sofrimento. A gente não faz nada de diferente a vida toda, não viaja mais, não sai mais de casa, não conquista coisas novas, não vê gente nova. A vida é uma prisão. 

Quem avisa amigo é? Que tipo de amigo é esse que, quando você se sente inseguro não dá apoio nenhum? Que tipo de amigo é esse que quando você erra, direciona ainda mais o teu foco para o erro e não para perceber a possibilidade de um novo começo?

Tem gente na pior? O que você quer que eu pense com isso? Você quer que eu valorize minha condição? Pois é, isso não acontece. Se eu já estou deprimido analisando a minha condição, eu fico ainda mais deprimido quando me toco que existem DE VERDADE condições piores e passo a analisá-las. 

Eu passo a pensar que não deveria haver condições ruins para ninguém. Eu passo a lembrar que estamos em um sistema de bosta, que se você estiver fodido psicologicamente e sem forças para levantar, você precisa ficar na incerteza se vai haver ou não solução. Para 1% da população mundial, com certeza tem solução. Para os outros 99%, é outra história. (*)

Então não me venha com "tem gente na pior". Vá se foder. 

Vá se foder! É isso o que eu quero dizer pra você. VÁ SE FODER! VÁ PARA O INFERNO. 

Talvez eu esteja ficando louco com tudo o que tem acontecido, mas não se preocupe. Eu já estou correndo atrás de ajuda. Seu filho da puta.


May this be the beggining of the end? 

(*) Eu passo a pensar que muito mais gente sofre junto comigo. Eu passo a pensar que há sofrimento por todo lado: não há para onde correr.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Com música, talvez



O mundo é muito belo
As pessoas são muito bonitas
Existe muita gente inteligente por aí
Existe muita gente criativa

Mas nem beleza, nem inteligência
Nem criatividade, nem nada mais
Tem significância na moralidade humana
Que é onde me causa espécie

Não penso como um conservador moralista
Pois moralismo já é um desvio moral para mim
O que penso é sobre o ideal de igualdade
Sobre tentarem tirar vantagem o tempo todo

As pessoas são muito bonitas 
Mas muitas delas irão sugar sua alma
Se você mostrar um segundo sequer de fraqueza
Você não pode baixar a guarda nunca

Mas de que adianta eu falar qualquer coisa?
Ninguém ouve e ninguém procura ver,
Não vou exigir dos outros a minha própria moral
Só não sei mais como posso me distrair

Com música, talvez.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Esse silêncio




Eu queria escrever algo bonito,
Algo positivo, algo belo a ser lido
Mas meus pensamentos estão voltados
À dura realidade estúpida e imbecil 
Criada pelo Homo sapiens 
Em sua jornada ao vazio

Depois de um dia estressante
Provocado pela análise de falas degradantes
Chego ao doce silêncio do meu lar
Não seria tão doce se não sentisse o amargar
Do dia em convivência com minha mais pura condolência
À imbecilidade que o ser humano insiste demonstrar

Às vezes gostaria de ir para o planeta Marte
Desaparecer daqui e deixar toda a minha arte
Mas o silêncio do meu quarto é muito bom
E as conversas com camaradas compensam o dom
Que o ser humano tem de certo inato
De colocarem uns aos outros de baixo do sapato

Mas para escrever isto aqui já não tenho paciência
Não posso pensar nem tomar alguma providência
É um milhão de gente chata por metro quadrado
Pelo amor do Pai, calem a boca, acabou meu tato
Mas no conforto do meu quarto, a tudo isso esqueço
Porque neste silêncio perfeito, simplesmente desapareço

E todo meu sentimento de cólera e melancolia
Nesse silêncio do meu quarto e da casa vazia
Se torna sentimento de pura, bela contemplação
É o descanso no silêncio que dá força à minh'ação
E a solidão que ora corrói, também ora preciso
É dessa maneira que todo dia preservo meu sorriso. 




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Amanhã eu vou


Eu vou fechar os braços de tatuagem
Eu vou engrossá-los numa academia
Eu vou aprender a organizar meu tempo
E conseguir três mil por mês num emprego

Eu vou sair de casa 
Vou morar sozinho em algum lugar daqui
Vou poder chamar meus amig@s para me visitar
E ter a liberdade de deixá-l@s dormir ali

Eu vou à uma festa punk 
Eu vou dar cotoveladas em rostos 
Eu vou derrubar, eu vou cair 
E todos vamos nos ajudar a levantar

Eu vou pintar quadros e fazer esculturas
Eu vou pegar papelão e fazer armaduras
Eu vou trocar de carro, atualizar a versão
Vou comprar uma bicicleta e aprender violão

Eu vou viajar, conhecer o mundo
Terei companhia, só por um segundo?
Vou pegar meu salário e torrar em Yu-Gi-Oh!
Minto, não vou gastar tanto assim, senhor

Vou pegar meu salário e presentear minha vó
Pois um dia chegará que minha fala dará nó
Vou envelhecer também, o tempo passa
Não sei se hoje ou amanhã continuarei só

Eu vou fazer muitas coisas, ainda 
Inclusive sonhar e encontrar minha linda
E se a vida continua depois da morte do corpo
Vou descobrir com ou sem conhecimento porco

Eu vou fazer tudo isso e muitas coisas mais
Mas sempre tudo isso parece longe demais
Mas eu sei, eu confio, eu vou sair dessa
Ela me ensinou que eu não preciso ter pressa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Probabilidade Improvável


Eu não sou eu mesmo 
Eu sou meu pai e minha mãe
Eu sou meus ancestrais 
E sendo um pouco de cada um
Não sou nenhum deles 
E assim, faço-me mim mesmo

O espermatozoide que deu origem ao meu corpo
Era apenas um em milhões
Multiplicado pelas chances dos ancestrais
A probabilidade de eu existir é quase nula,
Mas em absoluto, eu existo (eu acho) 
E o que isso tudo faz de nós especiais?

E perco noites e noites de sono
Pensando se tudo isso é o acaso
Ou se há algo por trás dessa improbabilidade
Nunca chego a resposta alguma 
Não prego o olho hora nenhuma 
Até que chegue o alvorecer

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Molhe



Guardo na lembrança com carinho
As fotos que tiramos naquele molhe
Foram dias curtos que a vida colhe
Mas cada um escolhe seu caminho

A falta que sinto, certa forma me tolhe
Lembro quando tomamos aquele vinho
Cada lembrança guardo com carinho
E solto-te ao vento, pois livre escolhes

As palavras doces deixo num pergaminho
As palavras ásperas, queimo e encolhe
Ciente de que isso não fará voltar o ninho

Queria eu ter feito antes, que Deus olhe
Mas peguei eu a estrada do espinho
Agora sigo reto na maré que se recolhe

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Noite mais Escura


 


Hoje eu planejei afogar minhas mágoas
Mas parece que São Pedro me protege
A chuva veio e manteve todos em casa
Ainda assim, eu sinto que preciso fazer algo

Esta é a noite mais escura dos últimos tempos
Em que a última chama da minha esperança se apaga
E pelo jeito hoje vou vê-la apagar-se sozinha
Não posso nem ao menos sair para comemorar

Eu poderia pegar o carro e andar por aí
Ver ruas vazias, chegar a um destino imprevisto
Mas tenho medo de reviver uma cena trágica
E nem ouso então, sair de casa para isso

Trancafiado no meu próprio quarto, 
Às vezes por opção, mas agora sem escolha
Ouvindo Sonata Arctica e esperando ter uma ideia
É a noite mais escura, ela poderia nunca acabar

Sim, eu preferia que esse momento nunca acabasse
É um momento de dor, mas ao mesmo tempo me sinto bem
É também um momento de resignação 
É um momento em que sinto o aprendizado correndo pelas minhas veias

É um momento em que me sinto um pouco mais maduro
É um momento em que eu sei com quem posso contar
Sempre posso contar com a minha família
Mas mais do que nunca, comigo mesmo. 



quinta-feira, 18 de maio de 2017

As pessoas não são más; estão apenas perdidas




O tempo passou. Nada mudou. 

Diziam os antigos sábios: "Não se pode mudar o mundo. Só pode mudar a si próprio". 

Eu concordo em parte com eles. Dependendo da interpretação que você dá a essa frase, você pode ter uma visão conformista. Nessa interpretação, o mundo é algo estático, é assim e sempre será, não será mudado e você que tem que se adaptar. Não concordo com essa interpretação.

A outra interpretação é: "O mundo só muda pelas contradições sociais, não pela força de um indivíduo isolado. Esteja bem preparado para fazer parte do todo". Essa, essa é a interpretação que eu gosto e concordo. 

E sabe, os últimos tempos têm sido de grande importância para o meu crescimento como pessoa. Eu iniciei o texto com uma frase que eu pensei após lembrar do último erro cujo arrependimento me fez ficar de molho por uns dias. Eu percebi que eu (e talvez a maioria das pessoas...) sempre acho que já aprendi o que deveria aprender e a próxima tentativa vai ser diferente... mas não, meu amigo, minha amiga. Não é bem assim que a coisa funciona. A gente se pega em situações minuciosas em que toda nossa maturidade é testada, e o que acontece? A gente falha. E se arrepende. 

A gente precisa estar numa constante "vigília" para lembrar o que a gente aprendeu, para não cometer os mesmos erros passados. Mas o maior erro é ter a certeza de que a próxima tentativa vai ser bem sucedida. A gente se cobra demais, a gente cria uma expectativa gigantesca, a gente sobe muito alto e a queda é cada vez maior e mais dolorida. 

É claro que o contrário, pensar que a próxima tentativa vai ser péssima, também não é o caminho. A gente não pode se depreciar de tal forma que nos auto-desestimulemos a procurar a felicidade. Mas então, qual é a resposta, Fausto? 

Olha, eu diria pra mim mesmo o seguinte: "Eu não sei o que vai acontecer". Eu vou tentar ser o melhor possível, vou tentar lembrar das lições que a vida me deu, mas eu não sei o que vai acontecer. Eu posso falhar de novo, posso ficar triste de novo.  Eu sei, às vezes não é fácil a gente se ver na mesma situação, se repetindo e repetindo. Não é fácil lidar com a própria sensação de fracasso. Às vezes a gente pensa em desistir. Mas algo sempre parece nos levantar. 

O apoio da família é muito importante. Triste é a realidade de que muita gente não tem esse apoio. Mais triste ainda é pensar que existem pessoas que acham que conseguir se levantar mais uma vez é algo simples, que "depende só de você". Não. As pessoas são INTERdependentes por natureza, mas algumas não têm a quem se apoiar e procuram se apoiar em meios externos, ou até liberar seus sentimentos de forma agressiva. Não existem culpados. Como diria o Criolo: as pessoas não são más; estão apenas perdidas. 

É difícil tentar entender, tanto no calor do momento quanto depois de que a ferida já está feita, que a pessoa que agride também está constantemente sendo agredida; que a pessoa que é arrogante está constantemente sofrendo na busca pela auto-afirmação. É muito difícil. 


Aprendi que é um erro contra-atacar a arrogância com uma arrogância ainda maior. Ser arrogante para o arrogante não significa que você vai colocar o arrogante no lugar dele. Pelo contrário, se você foi arrogante com o arrogante, não pode dizer que é humilde.

Bem, são inúmeros outros aprendizados e reflexões que eu tenho feito nesses últimos tempos, mas por enquanto só consegui me lembrar deles. Escrevo esse texto para ler no futuro, num momento em que eu possa estar cabisbaixo e precisar relembrar desses aprendizados, ou até mesmo pra outras pessoas lerem, porque talvez possa estar precisando também. 

Agradeço muito a você que leu até aqui, e se gostar, me deixa um comentário no link aí embaixo, ou puxa uma conversa no Facebook ou Whatsapp, porque reflexões sobre a vida é o assunto que eu mais gosto de conversar, e conversas são tão produtivas quanto a reflexão individual. 

Obrigado, meu irmão, minha irmã, meu amigo, minha amiga. Esteja em paz. 

Paz entre nós, guerra aos senhores.

sábado, 8 de abril de 2017

Almas unidas


Algo em ti causa-me arrepio
Tu pareces cada dia mais linda
E mesmo com meus defeitos, ainda
Amas-me de teu jeito sadio

Minha boca em água finda 
Quando teu rosto deslumbro macio
Treme minh'alma em sossego anil
Pensando no futuro em vinda

Mesmo longe, terno me sinto
Nossa alma, minha mente unia
Para ti, meu coração se abriu

Contigo quero ser um só ainda
Nosso tempo jamais será tardio
E nossa união será bem-vinda

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Dragão Vermelho - Fúria, Defesa, Determinação


Tu pensas, tu achas que é um jogo
Que podes falar o que queres porque está velho
Que podes falar o que queres, contra um coelho
Mas por trás, sou um dragão que cospe fogo

Sou um dragão, furioso e vermelho 
Vendo uma ameaça a ela, defendo logo
Não há santo algum que limito-me e rogo
Peço sua bênção e parto a arrancar o pentelho

Já nos basta de tal egoístico monólogo 
Conheço pessoas de gênio ao teu parelho 
Chega de vãs justificativas como astrólogo

Na nossa alma, não metes mais o bedelho
Conheço teu tipo, conheço teu psicólogo 
Não me enganas, fiques longe, te aconselho.



terça-feira, 4 de abril de 2017

Bicho do mato


Vale a pena expressar os sentimentos?
Realmente tiram os pesos da alma? 
Penso isso sempre que vou escrever
Penso tanto e acabo por me conter

A beleza vem da tristeza? 
Que utilidade tem essas poesias? 
A única certeza que elas dão
É que não são palavras vazias

Ainda procuro o meu caminho
No velho e vasto mar da solidão
Jamais tive um amigo inseparável
Ou incontestável e justa união

Gostaria de compartilhar meus interesses
Mas eu pareço mais um bicho do mato
De todas as combinações possíveis 
Poucas delas encontram o seu agrado

E o que posso fazer se minha casa continua vazia?
Se condições para laços fortes a vida não dá?
Se alguém um dia interessar compartilhar lá
Salvará minha esperança que um dia jazia

segunda-feira, 27 de março de 2017

Profundidade II


Eu não posso convencer ninguém
E também não é a minha intenção
Mas eu vejo o mundo ruir também
Quando se tem essa interação

A elite, com pressa, sem demora
O pensamento superficial explora
E tentamos ser como o "tordo"
Mas não saímos do conforto 

Você que acha que está sempre certo
Sempre acha que da verdade está perto
Mas é porque você não foi ao longe
Verá que a verdade ninguém tange

Mas se você realmente for a fundo
Verá que acontecem coisas materiais
Então cabe a você se importar mais
Se realmente quiser melhor o mundo

Mas não sinto que você se importa
E eu cansei, cansei de gente torta
Eu quero conversar sobre a vida
E você só quer falar da rica 

Existe muito sofrimento e exploração
Seu egoísmo não permite a percepção
E eu já não sei mais como estar sozinho
Para tentar fazer algo e buscar o caminho

Cansei de escrever pra libertar o sentimento
Eu queria só é ter logo o meu apartamento 
E talvez hoje eu pudesse na minha cama descansar
E num melhor dia, amanhã eu despertar...

sexta-feira, 24 de março de 2017

Profundidade


Eu tive sorte, desde pequeno
De me mostrarem o lado da justiça
E minha percepção de mundo foi sendo construída
Sem da infidelidade o veneno 

Mas o sábio perguntar-me-ia 
O que tu, Fausto, entendes por justiça 
Respondo logo, sem preguiça 
Que é vantagem que não levaria

Justiça é igualdade de direitos 
É igualdade de possibilidades 
Sendo assim, ninguém leva vantagem
E não existe ninguém à margem 

Querer levar vantagem sobre alguém
Faz com que haja concentração de poder
E o poder não deve ser o desejo, o querer
Mas é algo que deve ser dissolvido no povo

No mundo em que vivemos, às vezes é dureza
Você pensa que são justos, mas nunca tem certeza
Pensam que são espertos e querem levar vantagem
Te agridem, te destroem e maculam tua auto-imagem 

E então você se vê obrigado 
A lidar com os maus-grados 
A começar a ver a maldade 
Para proteger a sua identidade 

É uma pena que proteger-nos precisemos
Queria andar sem carregar um escudo
Mas sem o escudo e sem ver a maldade 
Os """espertos""" logo tiram vantagem 

Portanto, é preciso um pouco de malícia
Não porque é belo, mas porque é sua milícia
Para perceber os dissimulados e desonestos
Que usam sua boa intenção para atos nefastos

Nunca mais deixarei pseudo-amigos 
Tirarem vantagem da minha alma 
E com muita tutela e muita calma 
Afastar-me-ei de seus zumbidos 

Não mais aturarei maus tratos
Acreditando em falsas boas intenções
Ou discursos belos como canções 
Porque na profundeza estão os atos

Antigamente muito acontecia
Um ""esperto"" qualquer poderia dizer
"O Fausto é bobinho, com ele posso tudo fazer
E ele não vai reclamar, vai apenas parar e pensar" 

Mas hoje não, meu caro, minha cara
Com raposas não mais perderei meu tempo
Sumam daqui, mais rápidos que o vento 
Antes que eu jogue vocês naquela vala... 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pobre pessoa vazia




Pobre pessoa vazia
Que vive na Internet a se expor
Se alegra quando sua beleza é exaltada
Mas dentro de si é só o horror

Pobre pessoa vazia
Que quer mostrar a todos sua conquista
Porque tem tanto medo de não ter 
Aquela pessoa benquista 

Pobre pessoa vazia
Que de virtudes passageiras se enche
Age como se fosse uma grande mente
E mente como se fosse grande gente

Pobre pessoa vazia
Que seu egoísmo não admite
Mas o egoísmo dos outros, acusar se permite
Fá-los sentirem-se mal, mas não reflete quando fazem tal

Pobre pessoa vazia 
Que não merece nossa raiva nem pena
Que merece apenas o nosso silêncio
Já que a voz dos outros só finge ouvir

Pobre pessoa vazia
Que tem certeza demais de suas verdades
Que finge inteligência só por vaidade
Que odeia a quem não serve seus interesses

Pobre pessoa vazia
Que vai continuar um filhote eterno
Torna a vida dos outros um inferno
E dissimula, para que pareça belo

Pobre pessoa vazia
Não mereceria nem essa poesia
Só mereceria apenas o meu silêncio
Para não inflar sua megalomania