terça-feira, 10 de outubro de 2017

Com música, talvez



O mundo é muito belo
As pessoas são muito bonitas
Existe muita gente inteligente por aí
Existe muita gente criativa

Mas nem beleza, nem inteligência
Nem criatividade, nem nada mais
Tem significância na moralidade humana
Que é onde me causa espécie

Não penso como um conservador moralista
Pois moralismo já é um desvio moral para mim
O que penso é sobre o ideal de igualdade
Sobre tentarem tirar vantagem o tempo todo

As pessoas são muito bonitas 
Mas muitas delas irão sugar sua alma
Se você mostrar um segundo sequer de fraqueza
Você não pode baixar a guarda nunca

Mas de que adianta eu falar qualquer coisa?
Ninguém ouve e ninguém procura ver,
Não vou exigir dos outros a minha própria moral
Só não sei mais como posso me distrair

Com música, talvez.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Esse silêncio




Eu queria escrever algo bonito,
Algo positivo, algo belo a ser lido
Mas meus pensamentos estão voltados
À dura realidade estúpida e imbecil 
Criada pelo Homo sapiens 
Em sua jornada ao vazio

Depois de um dia estressante
Provocado pela análise de falas degradantes
Chego ao doce silêncio do meu lar
Não seria tão doce se não sentisse o amargar
Do dia em convivência com minha mais pura condolência
À imbecilidade que o ser humano insiste demonstrar

Às vezes gostaria de ir para o planeta Marte
Desaparecer daqui e deixar toda a minha arte
Mas o silêncio do meu quarto é muito bom
E as conversas com camaradas compensam o dom
Que o ser humano tem de certo inato
De colocarem uns aos outros de baixo do sapato

Mas para escrever isto aqui já não tenho paciência
Não posso pensar nem tomar alguma providência
É um milhão de gente chata por metro quadrado
Pelo amor do Pai, calem a boca, acabou meu tato
Mas no conforto do meu quarto, a tudo isso esqueço
Porque neste silêncio perfeito, simplesmente desapareço

E todo meu sentimento de cólera e melancolia
Nesse silêncio do meu quarto e da casa vazia
Se torna sentimento de pura, bela contemplação
É o descanso no silêncio que dá força à minh'ação
E a solidão que ora corrói, também ora preciso
É dessa maneira que todo dia preservo meu sorriso. 




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Amanhã eu vou


Eu vou fechar os braços de tatuagem
Eu vou engrossá-los numa academia
Eu vou aprender a organizar meu tempo
E conseguir três mil por mês num emprego

Eu vou sair de casa 
Vou morar sozinho em algum lugar daqui
Vou poder chamar meus amig@s para me visitar
E ter a liberdade de deixá-l@s dormir ali

Eu vou à uma festa punk 
Eu vou dar cotoveladas em rostos 
Eu vou derrubar, eu vou cair 
E todos vamos nos ajudar a levantar

Eu vou pintar quadros e fazer esculturas
Eu vou pegar papelão e fazer armaduras
Eu vou trocar de carro, atualizar a versão
Vou comprar uma bicicleta e aprender violão

Eu vou viajar, conhecer o mundo
Terei companhia, só por um segundo?
Vou pegar meu salário e torrar em Yu-Gi-Oh!
Minto, não vou gastar tanto assim, senhor

Vou pegar meu salário e presentear minha vó
Pois um dia chegará que minha fala dará nó
Vou envelhecer também, o tempo passa
Não sei se hoje ou amanhã continuarei só

Eu vou fazer muitas coisas, ainda 
Inclusive sonhar e encontrar minha linda
E se a vida continua depois da morte do corpo
Vou descobrir com ou sem conhecimento porco

Eu vou fazer tudo isso e muitas coisas mais
Mas sempre tudo isso parece longe demais
Mas eu sei, eu confio, eu vou sair dessa
Ela me ensinou que eu não preciso ter pressa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Probabilidade Improvável


Eu não sou eu mesmo 
Eu sou meu pai e minha mãe
Eu sou meus ancestrais 
E sendo um pouco de cada um
Não sou nenhum deles 
E assim, faço-me mim mesmo

O espermatozoide que deu origem ao meu corpo
Era apenas um em milhões
Multiplicado pelas chances dos ancestrais
A probabilidade de eu existir é quase nula,
Mas em absoluto, eu existo (eu acho) 
E o que isso tudo faz de nós especiais?

E perco noites e noites de sono
Pensando se tudo isso é o acaso
Ou se há algo por trás dessa improbabilidade
Nunca chego a resposta alguma 
Não prego o olho hora nenhuma 
Até que chegue o alvorecer

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Molhe



Guardo na lembrança com carinho
As fotos que tiramos naquele molhe
Foram dias curtos que a vida colhe
Mas cada um escolhe seu caminho

A falta que sinto, certa forma me tolhe
Lembro quando tomamos aquele vinho
Cada lembrança guardo com carinho
E solto-te ao vento, pois livre escolhes

As palavras doces deixo num pergaminho
As palavras ásperas, queimo e encolhe
Ciente de que isso não fará voltar o ninho

Queria eu ter feito antes, que Deus olhe
Mas peguei eu a estrada do espinho
Agora sigo reto na maré que se recolhe