terça-feira, 17 de abril de 2018

Exército de um homem só


O Dragão que dominava outrora
Fazia de servo, provocava o terror
A ironia é bom para seu humor
Fez-se ele, de amo, a servo agora

Sua força transpirava imenso calor
Atualmente não é diferente, embora
Sua fúria e sua força permanece sonora
Mas agora contida, canalizada com amor

O Dragão não mais usa-me, corrobora
Mas seu olhar, por meio do meu, causa estridor
Situação, emergência, o acorda na hora

Toda sua força, uso, e dá origem ao meu dispor
Infinita e imponente força, curva-se à senhora
Abaixa a força e fúria; retorna ao tom acolhedor.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Metade de mim é amor; e a outra, café



 Não gosto de poetizar com verbo no final
Mas o que importa é que errei e aprendi
Passei por cima dos problemas e não morri
E agora minha mente, pé-no-chão volta ao real

Metade de mim é amor; a outra, café, aqui
Aceitar-se como é, para a saúde é crucial
Às vezes atentamo-nos em algo banal
E no final de tudo, poderei dizer que bem vivi

Eu sou humano, como todo animal
Vivo, morro, às vezes sou zumbi
O período é o momento, não anual

Com o verso, meu momento resumi
Formando um soneto para mim especial
Mas incomodam-me os verbos com final "i"...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Amor próprio



Refletindo afundo sobre mim
Percebo que tenho exagerado
E isso tem trazido um mau-olhado
Ou talvez não seja bem assim

Mas comportamento é resultado
A causa torna-se clara, enfim
E celebro sozinho num festim
O mudado e novo anunciado

As palavras da carência carmesim
Daqui pra frente mostrar-me-ei calado
E contemplar quieto o que vem a mim

Isto é a maturidade em aprofundado
É como descobrir e repousar num jardim
É como por si mesmo sentir-se abraçado

***

Espelho, espelho meu
Quem amar-me-á mais forte do que eu?


Tu conheceste-me num mau momento

 

Eu venho criar estes versos
E estando eu aberto à pura sinceridade
Minhas palavras eram cheias de asperidade
E não tenho como fazer reverso

Tu conheceste-me num mau momento
Estava eu aflito, imerso num mar escuro
Era a depressão inimiga, estava obscuro
Da depressão vem a fúria e o desalento

Compreendo teu motivo, deusa guerreira
Deidade de Odin, solene cavaleira
Por isso não mais falar-te-ei; segurar-me-ei.

Que adiantaria tentar-te comunicar minha cura?
Se enchi-te o coração com córregos de amargura?
Não acreditarias jamais, mesmo que sinta-me capaz.

***

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Pra quê?

Eu tenho vontade, realmente tenho vontade de estudar autores, filósofos, gente inteligente. Eu realmente tenho vontade e, na verdade, é isso que eu penso como o objetivo maior da vida. Fazer o próprio conhecimento crescer, tornar-se pleno. Mais do que isso: fazer crescer o conhecimento do mundo a partir de suas sínteses e pesquisas próprias. 

Mas bem... eu era bastante ingênuo.

Antes de entender como o mundo funciona, eu pensava que todas as pessoas tinham a intenção de acumular o máximo de conhecimento possível. Se não conseguiam, é porque não tiveram condições concretas para aquilo. Ora, via meu pai com um vocabulário sempre muito amplo, sempre muito explicativo, tudo o que eu perguntava, todas as definições de palavras ele sabia. Ele era meu herói da inteligência acadêmica. Minha mãe também extremamente inteligente em questões artísticas, decorativas, culinária, organizacional e financeira. Ambos me incentivavam muito em buscar conhecimento acadêmico, porque isso, porque aquilo, porque aquilo outro. Agradeço-os até hoje por isso.

No ensino médio tive professores que falavam bastante também na importância do desenvolvimento da própria formação acadêmica. Quase todos eles volta e meia falavam sobre isso, e, portanto, insistiam nessa necessidade. Afinal de contas, formação acadêmica significa desenvolvimento científico e desenvolvimento científico significa melhorias relevantes para a humanidade e sua qualidade de vida.

E finalmente, tive uma formação religiosa que, ainda por cima reforçava esses ideais: cada pessoa tinha vindo ao mundo para algum propósito, e o meu propósito era fazer algo grande pelo mundo. Eu faria o máximo para fazer algo importante e, depois que eu morresse, eu poderia eternamente ver os resultados futuros, em cem, quinhentos, MIL anos e seus beneficiados e, quem sabe, reencarnar para depois continuar meu trabalho a partir dali. 

Pois bem, tudo isso na minha ingenuidade. Depois eu descobri que não era bem assim.

Afinal de contas, as pessoas têm pais diferentes, têm professores diferentes e formações religiosas diferentes. 

Eu construí todos meus interesses, toda minha "pulsão de vida", todas as minhas pretensões em cima daquelas ideias. 

Me decepcionei quando percebi que nem todo mundo trata o conhecimento com a seriedade que ele merece. O marco disso foi eu estar conversando sobre ótica com um colega professor de arte, numa escola de ensino fundamental, e perceber que, apesar de ele estar olhando para mim, não estava conseguindo se concentrar porque os outros professores ouviam a conversa e faziam piadas a respeito dos conhecimentos que eu trazia. 

Hoje eu já aceito naturalmente esse tipo de coisa, mas na época, para mim, foi um choque. Apesar de que isso me marcou no sentido de: para que desenvolver um conhecimento se, quando chega nas esferas de base eles são menosprezados? Ok, o conhecimento de ótica faz produzir outras coisas, como um espelho, por exemplo. Independente das pessoas levarem a ótica a sério ou não, elas usam um produto dos estudos de ótica. Mas eu ainda não consigo me conformar em como elas podem olhar para um espelho e não se perguntarem o porquê. Não consigo me conformar em como elas podem olhar para um espelho e não encantarem-se com a "magia" da física acontecendo ali, naquele exato momento. Que vida sem graça.

Isso se estende para o geral. As pessoas não querem conhecimento, elas só querem "viver". Estão contentes com seu futebol dominical e com suas cervejas, conversas machistas e entretenimento pequeno-burguês. Tudo bem, deixa elas. Mas... para que estudar se não tenho com quem ter conversas mais profundas? Para que estudar se, ao interagir com as pessoas, vou permanecer em silêncio?

Apesar dessas desilusões, eu ainda tinha minhas crenças. Com elas eu imaginava que, no futuro, o mundo tornar-se-ia diferente, as pessoas inevitavelmente ascenderiam a uma consciência superior, em que os desejos consumistas desapareceriam e dariam lugar aos desejos pelo bem comum. Mas então, depois de estudar algumas coisas, infelizmente impelidas por causa de um relacionamento abusivo, buscando a aceitação de minha "companheira", eu desacreditei.

Hoje eu vejo claramente essa questão, mas não consigo voltar a "acreditar". Como diria o C.S., "Eu não quero acreditar, quero saber". Eu já tinha uma propensão a ir para o lado cético e hoje, estou muito mais pé no chão do que a época em que eu espiritualizava tudo. Mas então, no final das contas, eu me pergunto... para quê? Para que vou estudar e desenvolver um trabalho científico ou, quem sabe, um conhecimento novo, ideias novas... para que vou me esforçar para ampliar minha formação acadêmica se, quando eu morrer, tudo isso será perdido?

Para que ter nascido se um dia vou morrer? 

Hoje, para mim, depois de tudo isso, a vida já não tem mais sentido. Como eu falei em outra postagem aí, parece que só existe o lado negativo. Eu preciso urgentemente ver o lado positivo da vida. Eu preciso urgentemente entender as motivações que levam as pessoas, mesmo ateias, a quererem prosseguir. 

Eu estou otimista. Creio que logo, logo não vou mais nem lembrar que pensava essas coisas. 

Mas eu espero, sinceramente, que esse "logo" chegue logo.

Obrigado por ter lido até aqui.