quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Pra quê?

Eu tenho vontade, realmente tenho vontade de estudar autores, filósofos, gente inteligente. Eu realmente tenho vontade e, na verdade, é isso que eu penso como o objetivo maior da vida. Fazer o próprio conhecimento crescer, tornar-se pleno. Mais do que isso: fazer crescer o conhecimento do mundo a partir de suas sínteses e pesquisas próprias. 

Mas bem... eu era bastante ingênuo.

Antes de entender como o mundo funciona, eu pensava que todas as pessoas tinham a intenção de acumular o máximo de conhecimento possível. Se não conseguiam, é porque não tiveram condições concretas para aquilo. Ora, via meu pai com um vocabulário sempre muito amplo, sempre muito explicativo, tudo o que eu perguntava, todas as definições de palavras ele sabia. Ele era meu herói da inteligência acadêmica. Minha mãe também extremamente inteligente em questões artísticas, decorativas, culinária, organizacional e financeira. Ambos me incentivavam muito em buscar conhecimento acadêmico, porque isso, porque aquilo, porque aquilo outro. Agradeço-os até hoje por isso.

No ensino médio tive professores que falavam bastante também na importância do desenvolvimento da própria formação acadêmica. Quase todos eles volta e meia falavam sobre isso, e, portanto, insistiam nessa necessidade. Afinal de contas, formação acadêmica significa desenvolvimento científico e desenvolvimento científico significa melhorias relevantes para a humanidade e sua qualidade de vida.

E finalmente, tive uma formação religiosa que, ainda por cima reforçava esses ideais: cada pessoa tinha vindo ao mundo para algum propósito, e o meu propósito era fazer algo grande pelo mundo. Eu faria o máximo para fazer algo importante e, depois que eu morresse, eu poderia eternamente ver os resultados futuros, em cem, quinhentos, MIL anos e seus beneficiados e, quem sabe, reencarnar para depois continuar meu trabalho a partir dali. 

Pois bem, tudo isso na minha ingenuidade. Depois eu descobri que não era bem assim.

Afinal de contas, as pessoas têm pais diferentes, têm professores diferentes e formações religiosas diferentes. 

Eu construí todos meus interesses, toda minha "pulsão de vida", todas as minhas pretensões em cima daquelas ideias. 

Me decepcionei quando percebi que nem todo mundo trata o conhecimento com a seriedade que ele merece. O marco disso foi eu estar conversando sobre ótica com um colega professor de arte, numa escola de ensino fundamental, e perceber que, apesar de ele estar olhando para mim, não estava conseguindo se concentrar porque os outros professores ouviam a conversa e faziam piadas a respeito dos conhecimentos que eu trazia. 

Hoje eu já aceito naturalmente esse tipo de coisa, mas na época, para mim, foi um choque. Apesar de que isso me marcou no sentido de: para que desenvolver um conhecimento se, quando chega nas esferas de base eles são menosprezados? Ok, o conhecimento de ótica faz produzir outras coisas, como um espelho, por exemplo. Independente das pessoas levarem a ótica a sério ou não, elas usam um produto dos estudos de ótica. Mas eu ainda não consigo me conformar em como elas podem olhar para um espelho e não se perguntarem o porquê. Não consigo me conformar em como elas podem olhar para um espelho e não encantarem-se com a "magia" da física acontecendo ali, naquele exato momento. Que vida sem graça.

Isso se estende para o geral. As pessoas não querem conhecimento, elas só querem "viver". Estão contentes com seu futebol dominical e com suas cervejas, conversas machistas e entretenimento pequeno-burguês. Tudo bem, deixa elas. Mas... para que estudar se não tenho com quem ter conversas mais profundas? Para que estudar se, ao interagir com as pessoas, vou permanecer em silêncio?

Apesar dessas desilusões, eu ainda tinha minhas crenças. Com elas eu imaginava que, no futuro, o mundo tornar-se-ia diferente, as pessoas inevitavelmente ascenderiam a uma consciência superior, em que os desejos consumistas desapareceriam e dariam lugar aos desejos pelo bem comum. Mas então, depois de estudar algumas coisas, infelizmente impelidas por causa de um relacionamento abusivo, buscando a aceitação de minha "companheira", eu desacreditei.

Hoje eu vejo claramente essa questão, mas não consigo voltar a "acreditar". Como diria o C.S., "Eu não quero acreditar, quero saber". Eu já tinha uma propensão a ir para o lado cético e hoje, estou muito mais pé no chão do que a época em que eu espiritualizava tudo. Mas então, no final das contas, eu me pergunto... para quê? Para que vou estudar e desenvolver um trabalho científico ou, quem sabe, um conhecimento novo, ideias novas... para que vou me esforçar para ampliar minha formação acadêmica se, quando eu morrer, tudo isso será perdido?

Para que ter nascido se um dia vou morrer? 

Hoje, para mim, depois de tudo isso, a vida já não tem mais sentido. Como eu falei em outra postagem aí, parece que só existe o lado negativo. Eu preciso urgentemente ver o lado positivo da vida. Eu preciso urgentemente entender as motivações que levam as pessoas, mesmo ateias, a quererem prosseguir. 

Eu estou otimista. Creio que logo, logo não vou mais nem lembrar que pensava essas coisas. 

Mas eu espero, sinceramente, que esse "logo" chegue logo.

Obrigado por ter lido até aqui.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Steven Universo


Vou hoje dormir pensando
Amanhã vou acordar também
Louco é como eu estava na época
Queria na época estar calmo como estou

Uma vez penso em falar tudo
Imagino, mas melhor falar nada
Reto, sigo em frente
Idiota não serei mais, tenho em mente
Ainda que não veja novamente

Tudo me lembra, tudo, tudo
E agora me pego buscando lembranças 
Até assistir Steven Universo sentado
Mesmo comer pão e tomar café passado
O que senti foi tão forte, que sentir de novo seria sorte



sábado, 2 de dezembro de 2017

Divagações Cabeludas

Nunca vai achar alguém compatível. 
Não existe ninguém boa o suficiente para você. 
Não adianta procurar. É gasto em vão de energia química. 

Já fazem sete meses. Sete longos meses em que o mundo tinha voltado a ser colorido.
Infelizmente, logo voltou o cinza. Eu estava surtado. 

A vida parece uma sequência interminável de derrotas, sempre. 
Tudo o que eu queria era vencer, ao menos uma vez na vida. 

Mas sinceramente, o que me faz ficar mais mal é minha situação financeira. 
Ter um pouco a mais de dinheiro amplia as possibilidades.
Não deveria ser assim. Deveríamos ter todas as possibilidades sem precisar de dinheiro.

Há quem diga que com a força da mente você consegue. Mas não é de uma hora para outra. Precisa ter paciência, precisa esperar. 

Isso é estranho, porque o financeiro é uma necessidade imediata. Então a tal força da mente não adianta para porra nenhuma. 

Estou cheio das divagações, mas este papo está me lembrando aquele pessoal que é tão "good vibes" que chega a ser forçado. É claro que ser positivo ajuda pra caramba para conseguir realizar feitos, mas eles começam a achar que está tudo bem, só por estarem positivos. 

Não, por mais que eu consiga manter uma estabilidade positiva, o mundo vai continuar uma bosta. 

Metade da riqueza do mundo vai continuar concentrada nas mãos de 1% da população, e o resto tem que ser dividido de forma desigual entre os outros 99% [1].

Não coincidentemente, milhões estão morrendo de desnutrição neste exato momento. Milhões estão morrendo de doenças facilmente resolvíveis, mas que não se resolvem porque não dá lucro enviar remédios, vacinas e soros para países pobres.

Você poderia dizer: "Pensar nesses problemas não vai ajudar a resolvê-los". 

Pelo contrário. A gente só resolve o que a gente tem consciência. Mas não é este o ponto, neste exato momento não estou tentando resolvê-los. Eu estava fazendo uma crítica à atitude de voluntariamente colocar vendas nos olhos. 

Eu consigo me levantar e esquecer um pouco desses problemas no mundo, sim. Mas é muito interessante como, nos meus raros momentos de "levante" e tentativas de alçar voos, logo algo ou alguém lança uma corda e me puxa para baixo. 

As pessoas estão pouco se fodendo. Estão pouco se fodendo para se colocar no lugar do outro. Cagam frases prontas pela boca, cagam clichês e repetem as frases sem perceber que estão sufocando e menosprezando o sentimento alheio. 

"Tem que correr atrás". "Só depende de você". "Quem avisa, amigo é". "Tem gente na pior". Entre outros clichês.

Filho da puta, eu estou todos os dias correndo atrás, tentando me levantar, tentando resolver meus problemas. 

Não, caralho. Não depende só de mim. Existem coisas que acontecem independente da vontade de um indivíduo. Ou você acha que, por exemplo, um bebê de 2 meses consegue se revoltar com os pais e sair de casa? 

Um revoltado só é revoltado porque viveu determinados episódios que aconteceram com ele.

Existem inúmeras micro e macro-estruturas sociais que fizeram eu me constituir exatamente do jeito que sou agora. Existem filhos da puta que sugaram minha vida até o momento, e existem pessoas que desde pequeno me mostram que a vida se constitui de apenas sofrimento. A gente não faz nada de diferente a vida toda, não viaja mais, não sai mais de casa, não conquista coisas novas, não vê gente nova. A vida é uma prisão. 

Quem avisa amigo é? Que tipo de amigo é esse que, quando você se sente inseguro não dá apoio nenhum? Que tipo de amigo é esse que quando você erra, direciona ainda mais o teu foco para o erro e não para perceber a possibilidade de um novo começo?

Tem gente na pior? O que você quer que eu pense com isso? Você quer que eu valorize minha condição? Pois é, isso não acontece. Se eu já estou deprimido analisando a minha condição, eu fico ainda mais deprimido quando me toco que existem DE VERDADE condições piores e passo a analisá-las. 

Eu passo a pensar que não deveria haver condições ruins para ninguém. Eu passo a lembrar que estamos em um sistema de bosta, que se você estiver fodido psicologicamente e sem forças para levantar, você precisa ficar na incerteza se vai haver ou não solução. Para 1% da população mundial, com certeza tem solução. Para os outros 99%, é outra história. (*)

Então não me venha com "tem gente na pior". Vá se foder. 

Vá se foder! É isso o que eu quero dizer pra você. VÁ SE FODER! VÁ PARA O INFERNO. 

Talvez eu esteja ficando louco com tudo o que tem acontecido, mas não se preocupe. Eu já estou correndo atrás de ajuda. Seu filho da puta.


May this be the beggining of the end? 

(*) Eu passo a pensar que muito mais gente sofre junto comigo. Eu passo a pensar que há sofrimento por todo lado: não há para onde correr.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Com música, talvez



O mundo é muito belo
As pessoas são muito bonitas
Existe muita gente inteligente por aí
Existe muita gente criativa

Mas nem beleza, nem inteligência
Nem criatividade, nem nada mais
Tem significância na moralidade humana
Que é onde me causa espécie

Não penso como um conservador moralista
Pois moralismo já é um desvio moral para mim
O que penso é sobre o ideal de igualdade
Sobre tentarem tirar vantagem o tempo todo

As pessoas são muito bonitas 
Mas muitas delas irão sugar sua alma
Se você mostrar um segundo sequer de fraqueza
Você não pode baixar a guarda nunca

Mas de que adianta eu falar qualquer coisa?
Ninguém ouve e ninguém procura ver,
Não vou exigir dos outros a minha própria moral
Só não sei mais como posso me distrair

Com música, talvez.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Esse silêncio




Eu queria escrever algo bonito,
Algo positivo, algo belo a ser lido
Mas meus pensamentos estão voltados
À dura realidade estúpida e imbecil 
Criada pelo Homo sapiens 
Em sua jornada ao vazio

Depois de um dia estressante
Provocado pela análise de falas degradantes
Chego ao doce silêncio do meu lar
Não seria tão doce se não sentisse o amargar
Do dia em convivência com minha mais pura condolência
À imbecilidade que o ser humano insiste demonstrar

Às vezes gostaria de ir para o planeta Marte
Desaparecer daqui e deixar toda a minha arte
Mas o silêncio do meu quarto é muito bom
E as conversas com camaradas compensam o dom
Que o ser humano tem de certo inato
De colocarem uns aos outros de baixo do sapato

Mas para escrever isto aqui já não tenho paciência
Não posso pensar nem tomar alguma providência
É um milhão de gente chata por metro quadrado
Pelo amor do Pai, calem a boca, acabou meu tato
Mas no conforto do meu quarto, a tudo isso esqueço
Porque neste silêncio perfeito, simplesmente desapareço

E todo meu sentimento de cólera e melancolia
Nesse silêncio do meu quarto e da casa vazia
Se torna sentimento de pura, bela contemplação
É o descanso no silêncio que dá força à minh'ação
E a solidão que ora corrói, também ora preciso
É dessa maneira que todo dia preservo meu sorriso.