quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Andorinha

Nas noites mais serenas
Até os dias mais agitados
Inundas-me de vibração amena
Até de longe, de onde estás

Reconforta-me o juízo
Até sonho com as cenas
Leves, como penas
Outra como tu não há

Bem longe estou,
Antes estivesse perto
Neste mundo tão belo
Celebrá-lo contigo

O teu semblante irradia alegria
Teu sorriso é sincero e puro
Eu vejo tua alma de luz
A energia que me passas

Me anima, me acalma,
Olha para o fundo da alma...
Mas tão longe é tão perto
Universo é um ponto

Imagino, somos só
Tudo isso em um pó
Outro dia, não estamos sós!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Mal necessário

Esses loucos no poder
Loucos que causam guerras
Loucos que criam guerras
E colocam amigos no campo de batalha

Esses loucos no poder
Que dão ordem de guerra
Mas que nunca vão à ela
Porque não querem se manchar

Loucos no poder
Que não usam farda
Nem colete à prova de bala
Usam terno e gravata de seda

Loucos, insanos no poder
Se acham superiores por "mandar"
Mas se a conjuntura fosse outra
Dos soldados estariam no lugar...

domingo, 13 de setembro de 2015

Workaholic

Ah, se não fosse esse Facebook...
E se não fosse aquela preguiça
Que faz da cama uma cobiça
A vida teria algum truque?

Parece que temos um vazio
A rede social amplia, e grande
Será que isso não soa arrogante?
Mas ela às vezes me leva como um rio

Esse vazio eu preencho com teu amor
E o que sobra, deveria com estudo
Mas a este às vezes tenho temor

Mas com trabalho preencheria, contudo
Porque no fundo, servir causa-me ardor
Relaxo e deito nos teus braços de veludo

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Águas da vida


Quando a maturidade vem
Percebemos a diferença 
Entre o imaginário e o real

Antes o imaginário parecia real
E o real causava muito medo
Por culpar o imaginário 
Que também faz parte do real

O imaginário é um real irreal 
Pode ter acontecido
Mas não é garantia de que vai

Trancafiado, pareço flutuar no imaginário
O imaginário parece flutuar no espaço
O real tem a força da gravidade,
A sensação é de pés no chão 

Mas quando vemos que o real
E que o imaginário se confundem
Voltamos a flutuar

Mas sob a ação da gravidade 
Só conseguimos flutuar 
No mar... 
Nas águas da vida...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Não é nada pessoal


 Não me leve a mal
Pode haver contradição
Talvez até perturbação
Mas não é nada pessoal

Mesmo que eu seja tua antítese
Pode haver entre nós harmonia
Sem contradições seria vazia
Essa vida que do passado é síntese

Do atrito vem o calor 
E é disso que precisam os humanos
A frieza é um horror!

Tenho consciência que somos "hermanos"
E que a nossa essência é o amor
E que se estamos aqui, não somos decanos!




quarta-feira, 17 de junho de 2015

Céu estrelado

 
 
Olhe para o céu de noite
Sem essas luzes urbanas

Simplicidade
Humildade
Fraternidade

Calor
Amor
Ardor

E vem o sono
O vento
O conforto
O sonho 

E eu voo 
Vou até Andrômeda
Vou até os quasares, nos confins do universo

E de lá eu observo
E sinto que lá é meu lugar
Mas preciso voltar.

Viajar
Teletransportar.

O corpo físico é pesado
Mas preciso dele por hora. 

Preciso fazer alguma coisa aqui, 
Sei que preciso: o dever me chama. 

Acordo, 
Ainda a noite tão bela, 
Sem essas luzes urbanas, lá estão as estrelas

Brilhante
Cintilante
Abismante

Queria ficar te observando, estrela
Mas preciso voltar a dormir: o dever me chama.

Venha o sono, 
O conforto.

Acordo,
O dever me chama.

Amo meus amigos
Amo meus conhecidos
Amo a tudo e a todos

Mas meu corpo físico
(E talvez a sociedade)
Não deixam eu expressar esse tão grande amor

Calor
Ardor
Expande

E preciso estudar Lagrange
Até mais, boa noite.
 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sebastião


Vim a este mundo 
Com um anseio profundo
Um anseio de tornar-me um anjo
Almejando quebrar barreiras

Por vezes tornei-me confuso
Devido a um pensamento difuso
De que anjo não seria humano
Mas ora, vejam que ledo engano

Não se pode aprender a ser anjo
Sem antes aprender a ser humano
Se Deus fizesse isso, seria um insano
Mas um anjo é um humano decano

Sem um corpo físico é muito fácil
A percepção da realidade torna-se ágil
Mas sob limitações, precisamos de precauções
 E não olhar para os outros como abominações

Porque agindo como abominações podemos estar nós
Precisamos ouvir e cada um tem sua voz
Compreensão é a chave da união
Compreendes-me, Sebastião?

 Este é o sentimento onírico
Presente em boa parte dos meus devaneios
Tornar-me um anjo é o maior dos meus anseios
Falo do fundo do meu eu lírico

Não sei se está longe ou se está perto
Mas devo aprender a ser humano, decerto
E a vida é sempre de destino incerto
Que de aprendizados está repleto

Quem és tu que fala comigo?
Sentir apenas teu sopro consigo
Tua fala e tua forma não tens,
Mas tua inspiração é certa que vem.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Relações verticais



Existem relações verticais
Que se mantém verticais
Por serem como são
Pelo caráter de como são

Quem ensina mostra sua seriedade,
Quem só brinca, não ensina,
Não é levado a sério,
Não é autoridade.

O autoritário perde sua seriedade,
Não é levado a sério,
Não é autoridade,
Parece que está de brincadeira.

Existem relações verticais
Que deveriam se manter verticais
Porque quem ensina é como uma mãe ou pai
E não como uma amiga(o), irmã(o) ou namorada(o)...

Ensinar é ter responsabilidade sobre alguém. Ultrapassar o limite da relação é deixar a responsabilidade de lado. 



sábado, 11 de abril de 2015

Amor sem fronteiras


Meu amor do Norte
Meu amor do Nordeste
Meu amor do Sul

Meu amor do Sudeste
Meu amor daqui
Sois um só amor!

Por que haveis de separá-lo?

Existem várias formas de amor
Algumas preservam o calor,
Outras emanam o fulgor

Mas algumas são restritivas,
Impedindo experiências cognitivas
Apenas por razões persuasivas...

Oh, amor. Se és amor, qual o teu limite?
Por que tu não és pensado com requinte
Por que só um, quando pode vinte?

Amizade é amor irrestrito,
Quem dera não fosse o único lícito

Calor que não queima,
Aquele de que precisa a flor
Mas de que a sociedade teima...


terça-feira, 3 de março de 2015

Você é maluco?

- Fausto, você é maluco?

Veio um jovenzinho perguntar-me. Nesse instante meu cérebro gerou incontáveis impulsos elétricos, dando origem a um devaneio cabeludo. Parei por um segundo para pensar numa resposta.

Qual poderia ser o conceito de "maluquice" para uma criança de 12 anos? Seria uma pessoa que perdeu a noção da realidade? Mas será que uma criança tem definido o que é o conceito de realidade para si? Hm... talvez não poderia ser. Ou talvez poderia. 

Ou será que maluca, para ela, é a pessoa que, embora vive condicionada a uma cultura, sabe que ela não passa de mero conjunto de costumes subjetivos que poderiam simplesmente ser diferentes? E que sabendo disso não se importa com o pré-julgamento exercido pelos outros condicionados a essa cultura, com base nos padrões desses costumes?

Ou talvez... um palhaço sem maquiagem e roupas excêntricas, que procura fazer os outros se divertirem ao simular comportamentos ou inocência também à margem desses padrões? 

De fato, não sei o que leva uma criança de 12 anos a perguntar isso. Uma criança por volta dos seus 6 anos não faria esse tipo de pergunta, a não ser que esteja reproduzindo desde já os conceitos e/ou pré conceitos de seus pais ou família. Mas crianças de 6 anos, algumas apenas se divertem e ficam amigas do palhaço, outras morrem de medo dele devido a sua extravagância circense. 

A vida é assim. Cheia de opiniões. E naquele momento talvez eu tenha formulado uma boa resposta.

Por um momento eu pensei que pudesse fazer uma dessas piadas que, embora absurdas, você fica com uma expressão séria a ponto de parecer verdade para quem ouve: "Sim, sou assim porque tenho sangue laranja. Inclusive, tenho laudo médico para provar". Mas preferi dar uma de professor sério. 

Depois desse um segundo de devaneio, respondi:

- Minha criança! Não posso responder tal pergunta. Melhor deixar que os outros falem por mim e talvez você tire suas próprias conclusões.

Alguns diriam que têm certeza que sou "maluco". Outros diriam que eu só "me faço". Mas sabe... talvez uma resposta melhor seria: "Eu sou feliz". Isso sim é o que realmente importa na vida de cada um.

Como trilha sonora desta postagem, deixo esta bela canção dos Mutantes, interpretada no vídeo pela Rita Lee. 


Atenção: isto é uma história de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Como ir da Física para a Metafísica

Dragão: Tô com fome. 
Texugo: Tem comida na geladeira.
D.: Ok

Dragão vai até a geladeira e percebe que tem uma batata doce inteira num prato de plástico. Como quer ficar monstrão, marombadão, pega o prato com a batata doce de primeira. 

Só que a batata doce não está centralizada no prato. Ela está em um dos lados dele, e Dragão pega ela de uma forma que faz com que a batata role no prato, causando a sensação de que ela iria cair. Mas ela não cai, simplesmente para no meio do prato.

Dragão: Caramba. Quase caiu a batata doce. Mas ficou bem no meio do prato.
Texugo: Mano, como isso aconteceu?
D.: Ora, porque a massa da batata doce simplesmente procurou distribuir o peso dela sobre o centro de gravidade do prato. 
T.: Pois é. Mas por que será que aconteceu isso, né?
D.: Ué, porque os corpos sempre procuram o equilíbrio. Se a batata doce ficasse daquele lado, o peso total no prato não estaria unifome.
T.: Mas por que será que a batata doce age assim, né? 
D.: Como assim?
T.: Assim como a batata doce no prato, uma corrente elétrica em duas linhas de transmissão "se divide" proporcionalmente à resistência presente nas duas, criando o equilíbrio. Isso acontece em tudo o que se conhece na física, até agora. Então todas as coisas do Universo buscam equilíbrio, e como o Universo é constituído de todas as coisas, então, na verdade, o próprio Universo busca o equilíbrio?
D.: Caraca! Verdade!
T.: Já tinha parado pra pensar nisso?
D.: Não. E será que existe algo por trás de tudo isso que motiva esse bailar harmonioso do Universo? Ou será que, como podem existir infinitas possibilidades, a física de um universo paralelo ao nosso funciona diferente e a batata doce fica de um dos lados do prato? 

O diálogo se extendeu por horas.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Dragão de Fogo

O Dragão começara a amansar, mas de fato, era um ser feito de fúria. Vinha do pó, esquentado pelo calor da fúria e no fogo da fúria queimava-se novamente e voltava ao pó. Como uma Fênix, o Dragão conseguiria ressurgir das próprias cinzas e recomeçaria um ciclo vicioso de tensão e conturbação.

Entretanto, o Dragão decidiu voltar ao pó de uma forma diferente, abdicando da própria essência, a fúria. Decidiu alterar seus critérios de análise da realidade: o certo e o errado já não existia mais. Outrora, o Dragão, com seu senso de justiça, buscava disseminar o certo absoluto sob qualquer custo, para que o errado fosse extinto e no mundo reinasse em suprema paz, mas percebeu que tal sentimento apenas continuaria o ciclo que faria apenas ele mesmo queimar. 

Não existe mais certo e errado absolutos. Certo e errado agora eram meras percepções subjetivas e conceitos intrínsecos à individualidade de cada ser vivente. Portanto, deveria apenas guardar suas noções de realidade para si, em vez de tentar disseminá-las, pois essas noções deveriam agora servir para que vivesse bem em sua individualidade, não para enxergar um objetivo para o mundo todo.

Já não poderia mais dizer que um assassino estaria errado, embora não compactuasse com tal prática. Também não poderia dizer que uma alma caridosa que ajuda necessitados estaria certo, embora agora compactuasse com tais práticas. O que nos faz bem, compactuamos; o que não faz bem, discordamos. Mas esse compactuar ou discordar deve agora, para o Dragão, ser apenas interno, porque também percebera que por mais baseados que fossem seus argumentos, se os demais seres vivos preferissem não compreender tal lógica, ou mesmo que tivessem uma lógica diferente, jamais aceitariam. 

Então o Dragão decidiu apagar sua chama aos poucos, compreendendo que os atos e atitudes que outrora julgava errôneos, na verdade são uma percepção diferente da sua, que entretanto poderia ser a sua. O Dragão via em sua frente o universo e as estrelas, e percebera quão pequenas eram suas tentativas. Percebeu-se como parte do universo e sentiu o universo dentro de si. 

O Dragão do Fogo era apenas um dragão de fogo.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O Retorno

Universo paralelo
Voltamos com a nossa programação normal. 

Apaguei todas as postagens antigas porque não quero nem saber das minhas poesias e textos antigos, nem dos momentos antigos. Prefiro guardar as coisas boas na cachola. 

Nesse blog aqui eu vou postar qualquer coisa que me dê vontade. Quando eu fizer algum vídeo vou postar aqui também e quando me der vontade de escrever alguma poesia, eu posto aqui. 

Este blog já teve mais de 21 mil visualizações, desde que se chamava Somalifortress. Acho que tinha alguns leitores assíduos pelo jeito. O número de visualizações caiu para 0 depois que eu bloqueei o blog (óbvio, hehuahuehae). Bloqueei porque eu não queria mais que ninguém lesse o que eu tinha escrito e também estava meio apegado e não queria apagar. Agora apaguei absolutamente todas as postagens antigas e este é um novo início.

Se você não lembra do antigo, mudei um pouco o template. A largura está maior e a imagem de fundo é uma só, não se repete. Eu fiz este para a resolução do meu monitor, não sei como fica nos maiores ou nos menores. O banner... bem, os banners... a ideia é que sejam "devaneios cabeludos" (oooohh!!). Eu gostei. Achei que ficou bonito. Gosto de mexer com design.

Sinta-se em casa.
Abração.

(Imagem não relatada...)